Se vira, meu filho!
Para o desespero das mamães super protetoras, os especialistas defendem que a estimulação da independência nas crianças deve começar desde muito cedo.
E põe cedo nisso. Segundo Cláudia Razuk, Coordenadora Pedagógica do Colégio Itatiaia em São Paulo, esse processo deve começar enquanto ainda são bebes, em situações simples e corriqueiras do dia a dia, como, por exemplo, no hábito de dormir ou segurar a mamadeira sozinhos.
Um dos enganos mais comuns dos pais é esperar que a criança já domine determinada capacidade para, então, pedir que a faça. Nada disso! O aprendizado acontece justamente quando estas fases são respeitadas: a iniciativa para começar, as tentativas, lidar com a frustração do erro, ser perseverante , saber buscar ajuda, tentar quantas vezes forem necessárias até atingir o êxito e curtir a vitória.
Colocar estes pequenos desafios em prática, no entanto, nem sempre é tarefa fácil para os pais. Como estimular corretamente sem deixar de respeitar a capacidade das crianças, que ainda são muito pequenas? A pedagoga Cláudia Razuk dá uma forcinha com algumas sugestões. Veja abaixo!
Organização de objetos
Com um ano e meio de idade, a criança já compreende ordens simples e já pode começar a participar de pequenas tarefas como, por exemplo, guardar seus calçados no local (desde que este seja de fácil acesso).
Aos dois anos já é capaz de reconhecer o local onde são guardados alguns brinquedos grandes e simples. Estimule e ajude, dando orientações, mas não fazendo por ela.
Aos três anos, já é capaz de organizar a sua caixa de brinquedos, o que desenvolve o pensamento lógico matemático (separação das peças segundo algum tipo de atributo, como cor, forma, tipo de brinquedo), exige planejamento, atenção e responsabilidade.
Na cozinha, a criança já pode começar a participar de algumas tarefas simples, como ajudar a colocar a mesa (elas reconhecem, de forma fácil e simples, os locais onde os utensílios são guardados), ajudando-a a perceber e participar da organização. E você pode incentivá-la a criar outras maneiras de arrumar a mesa ou guardar os utensílios. Muito cuidado para não impor as formas de organização. Deixe que a criança crie seu próprio raciocínio e use a sua criatividade e vá, apenas, orientando-a quando necessário.
Com cinco ou seis anos, já pode ajudar a lavar a louça (peças plásticas, para evitar acidentes). Ela desenvolverá um domínio motor mais refinado, pois deverá lidar com o peso do objeto e o fato de estar escorregadio pelo sabão.
Vestir-se e calçar-se sozinho
Aos dois anos, a criança já demonstra interesse em despir-se sozinha. É o primeiro passo para que, em seguida, possa vestir-se também. Nesse momento, a ajuda dos pais será essencial, pois alguns atos facilitarão a aquisição dessa capacidade: mostre à criança características que ajudarão na rotina, como a costura das roupas, que deve ficar por dentro, a etiqueta, que geralmente fica atrás. Faça pequenas marcas no lado interior dos calçados, explicando que, quando for calçá-los, as pequenas marcas deverão ficar juntinhas, ajudando para que não calce os sapatos ao contrário.
Ao vestir-se e calçar-se sozinha, a criança desenvolve a coordenação motora, a lateralidade, a organização do pensamento lógico. Embora simples, estes atos requerem que a criança processe e organize uma série de informações mentais antes de colocar as ações em prática.
Hora da higiene
Que delícia é a hora do banho! Se puder ser feito com calma então, melhor ainda! Ao invés de fazer rapidamente, procure iniciar um pouco antes e vá estimulando, orientando e deixando que ela faça sozinha. Esse processo, até que seja completo, pode demorar, mas no final, valerá a pena!
O mesmo acontecerá para escovar os dentes. Ao colocar a quantidade exata de creme dental na escova, a criança precisará de treino e domínio motor, da força adequada ao apertar o tubo e da percepção da quantidade do creme. E de uma boa coordenação motora para executar movimentos variados e ainda utilizar a força adequada para a escovação. É um belo exercício, não é mesmo? Ao final, os pais podem dar uma ajuda extra para garantir que a escovação esteja perfeita.
Dar continuidade, sempre
Conforme a criança for crescendo, novos desafios surgirão. E surgirão também para os pais, que deverão estar sempre atentos ao que poderão ou não “delegar” a seus filhos. Mas nesse momento, se toda a primeira fase de estímulo à independência tiver sido trabalhada, com certeza a criança estará preparada para encarar toda e qualquer nova situação, com total segurança.
Hábitos de independência que se criarem desde cedo ajudarão a criança a tornar-se um adolescente e, posteriormente um adulto, muito mais responsável, bem resolvido, organizado e com grande iniciativa. Por isso é importante, além de estimular os hábitos em si, dar significado e mostrar a importância de cada ato.
Trabalhar a autonomia da criança ajudará na sua auto-estima. A fase de tentativas, erros e acertos é um momento importante onde os pais e educadores deverão estar atentos, dando força e incentivo para que ela seja perseverante (outro comportamento extremamente importante, que ela levará por toda a vida!) e não se desanime diante das dificuldades.
Lembre-se: acima de tudo, os pais devem acreditar no potencial de seus filhos.
admin :: Dec.24.2009 :: Artigos, Dicas, Miscelânia, Relacionamento :: No Comments »