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3G: um novo paradigma na oferta de banda larga no Brasil

       :: Por Marco Aurélio Rodrigues*

Uma nova fase na telefonia móvel está prestes a começar no Brasil. A chegada
definitiva da terceira geração, a 3G, colocará o país em um novo estágio de
infraestrutura tecnológica que levará o consumidor brasileiro e a sociedade
em geral a experimentar uma importante mudança de comportamento no que se
refere ao acesso em banda larga.

A 3G está sendo percebida no mundo inteiro como plataforma de banda larga
móvel, e no Brasil não será diferente. A vocação das tecnologias 3G para
serviços de dados é refletida no número de dispositivos comercialmente
disponíveis hoje. Segundo a GSA, cerca de 50% dos dispositivos WCDMA/HSPA
são voltados para conectividade: placas, modems, laptops com módulos
embutidos e roteadores somam 200 modelos.

A adoção da 3G no mundo é surpreendente. Analistas estimam um crescimento
médio de assinantes no mundo de 44% nos próximos 7 anos, atingindo 1,3
bilhão de usuários 3G WCDMA em 2012.

Atualmente há apenas 7 milhões de usuários de banda larga no país, e destes,
mais de 70% têm acessos a velocidades inferiores a 1 Mbps. Os 115 milhões de
usuários brasileiros de telefonia celular terão brevemente à sua disposição
redes de banda larga 3G.

Dois fatores principais farão com que o cenário da banda larga no Brasil
sofra uma importante transformação: competição e cobertura.

A competição na banda larga 3G beneficiará o consumidor tanto em preço como
em qualidade dos serviços. A competição tem sido a principal alavanca para o
desenvolvimento da telefonia móvel no Brasil, e agora alcançará os serviços
de banda larga.

Será através da competição que os preços da banda larga 3G  - hoje já
equivalentes aos da banda larga convencional - cairão ainda mais. Ela ainda
proporcionará ao consumidor uma crescente oferta de dispositivos de acesso à
Internet. A preocupação com a atualização tecnológica das redes garantirá
qualidade cada vez melhor dos serviços.

A cobertura é fator preponderante para a universalização dos serviços.  O
modelo escolhido pela agência reguladora para a implementação da 3G no
Brasil garante cobertura para mais de 90% da população brasileira, já que as
operadoras terão de investir em redes de banda larga em todas as suas áreas
de atuação.

Ao fim de 8 anos, cerca de 3.600 municípios terão redes 3G, sendo que este
investimento será feito totalmente pela iniciativa privada, sem recursos
públicos, e por empresas especializadas em prestação de serviços de
comunicação. Esta grande infraestrutura que será estendida no Brasil pode
ser utilizada para atender aos programas de inclusão digital e de
conectividade do governo.

A disponibilidade da banda larga em todas as regiões é uma grande
oportunidade para conectar escolas, hospitais e outros órgãos do serviço
público sem a necessidade de altos investimentos do governo. Além disto, a
cobertura celular permitirá que muitos brasileiros tenham seu primeiro
acesso à Internet por meio do telefone celular, assim como ocorre em muitos
países.

Ao invés de ser “coisa para rico” a 3G irá democratizar a telefonia celular
e o acesso à banda larga no Brasil. O consumidor brasileiro irá aderir à
nova tecnologia de forma gradual no início, porém, cada vez mais rapidamente
à medida que as redes se espalhem pelo país e ele se aperceba que pode
trocar seu telefone de geração anterior por outro de tecnologia atual.

Uma indicação de que o ritmo de adoção deverá ser rápido está no índice de
troca de telefones celulares no Brasil. Segundo informações da indústria, em
2007 foram vendidos cerca de 43 milhões de aparelhos no país, sendo apenas
18 milhões para novos assinantes.

Estes dados indicam que algo como 25 milhões de celulares foram vendidos
para pessoas que simplesmente quiseram trocar seus aparelhos - na maior
parte das vezes por um modelo melhor e mais moderno.

A 3G está trazendo um novo paradigma para as comunicações no Brasil em que a
banda larga, um dos motores para o crescimento do país, estará finalmente ao
alcance de milhões de brasileiros.

*Marco Aurélio Rodrigues é presidente da QUALCOMM no Brasil

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