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O quarto carro, o PRIMEIRO lugar.


Atitude: Liderança

Uma e outra corrida

por João Henrique Ribeiro dos Santos

Em certa ocasião, numa corrida já bastante tradicional, quatro jovens
pilotos, amantes da velocidade e do risco, resolveram formar uma equipe
e disputá-la. Seriam quatro carros com chances absolutamente iguais de
vencer. Todos com a mesma eficiência técnica e rendimentos idênticos. A
única coisa a distinguí- los seria a forma com que cada um conduziria
seu veículo.

Começada a corrida, o primeiro piloto disparou na frente. Em seu
objetivo de vencer, ele acelerava cada vez mais, o que ia tornando cada
vez mais difícil manter o carro naquela pista sinuosa. A sua forma de
guiar, com arrancadas espetaculares e derrapagens em todas as curvas ia
produzindo um frisson nos espectadores e um desgaste prematuro e
excessivo dos pneus, até que completamente desgovernado, saiu da pista a
teve que abandonar a competição.

O segundo piloto, extremamente cauteloso e conservador, não admitia
correr qualquer espécie de risco. Dessa forma, fazia uso dos freios com
tal freqüência, que isto foi produzindo um sobre-aquecimento do sistema,
que começou a falhar. Com os freios em precárias condições, foi obrigado
a reduzir a marcha, e acabou sendo superado por todos os demais
competidores.

O terceiro piloto, preocupado com as ameaças que representavam seus
oponentes, controlava todos os seus movimentos pelo retrovisor. Ele
ficou de tal modo fixado no espelho, atento a tudo que se passava atrás
de si, que não percebendo uma curva à sua frente, saiu da pista e ficou
fora da corrida.

O quarto piloto, muito mais equilibrado que seus companheiros,
determinado a alcançar seus objetivos, ocupou-se logo de planejar uma
estratégia para a corrida. E desse modo, sempre que as condições da
pista permitiam, ele fazia uso do acelerador, e quando as condições lhe
eram adversas, ele usava os freios. Jamais se permitiu quebrar a
concentração a ponto de perder de vista seu objetivo ao consultar os
retrovisores.

De início, ele foi superado pelos seus concorrentes, mas aos poucos, sua
estratégia se mostrou acertada, e um a um ele foi superando seus
adversários e conquistando suas posições. Até que por fim venceu a
corrida. E de modo brilhante, sem apresentar cansaço excessivo ou
desgaste acentuado de seu equipamento.

Esta breve história ilustra muito bem a forma como as nossas
organizações estão sendo conduzidas.

Algumas, extremamente arrojadas em sua gestão lançam-se em busca de
resultados sem avaliar riscos e sem medir esforços. Produzem um enorme
desgaste em sua estrutura e raramente são bem sucedidas.

Outras, extremamente cautelosas, freqüentemente são surpreendidas pela
competitividade do mercado, sendo invariavelmente superadas pela
concorrência.

Outras ainda, sem uma clara visão de onde pretendem chegar, orientam- se
apenas por números de exercícios anteriores ou pelos movimentos da
concorrência. Estão literalmente fixadas no retrovisor e geralmente
tomam a direção errada.

Há, porem, aquelas que estabelecem suas estratégias tendo em vista seus
objetivos, que avaliam constantemente as condições do mercado. Elas são
arrojadas ou conservadoras conforme a ocasião. Empresas que sabem onde
querem chegar. Que percebem as oportunidades e monitoram as ameaças.

Essas normalmente são as vitoriosas.

João Henrique Ribeiro dos Santos é Administrador de empresas, pós-
graduado em Consultoria Empresarial com ênfase em RH.

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