Tempo X Energia
por Amauri Zerillo*
Lá bem antigamente os artesãos trabalhavam num anexo de suas casas, no horário de sua conveniência, seu produto era personalizado e seu negócio era do tamanho de sua capacidade e vontade de trabalho. A revolução industrial, objetivando ganho de escala, juntou esses artesãos numa linha de montagem que só começava funcionar quando todos estavam presentes.
Foi necessário disciplinar aqueles artesãos que sabiam produzir individualmente elaborando o produto completo para que trabalhassem em equipe somente elaborando uma parte do produto e de acordo com um modelo único.
Atividade individual não requer muita organização e controle, mas mesmo que seja uma simples caminhada a dois já se torna necessário combinar onde, que dia, que horas, velocidade, percurso, etc.
Os artesãos não estavam acostumados a regras e naquele tempo nem se preocupavam com as necessidades e vontades dos clientes. Faziam o que sabiam, da forma que entendiam, no horário de sua preferência, ou seja, não estavam sujeitos acostumados a regra alguma.
Eu imagino como a organização das primeiras indústrias foi divertida.
Divertida para nós que não estávamos lá tentando convencer uma “floresta natural” de individualistas indisciplinados trabalharem em equipe.
“Floresta natural” porque não encontrei outro termo para designar um agrupamento de espécies diferentes. Também não sei como fizeram para convencer cada “plantinha” se comportar de forma homogênea como parte de uma “floresta cultivada”.
Fazer os artesãos entenderem que deveriam trabalhar juntos num só local
não deve ter sido muito difícil, pois lá estavam suas ferramentas, mas convencê-los chegar num mesmo horário, estão tentando até hoje.
Com certa dose de irresponsabilidade vamos ajudar escrever parte dessa história.
Para resolver o cumprimento do horário apareceu um “entendido” em DP (departamento pessoal) que sugeriu o livro de presença. Mais tarde o professor Pardal (certamente um consultor) transformou o livro de presença em cartão marcado por um relógio de ponto para acabar com aquele registro viciado que o DP fazia (a Mariazinha, com quem o chefe do DP tinha um caso, nunca chegava atrasada).
Nem o livro nem o relógio de ponto resolveram, foi necessário trocar o
chefe do DP (perdeu-se a Mariazinha) por um nazista que punia os que chegavam atrasados (exceto a Mariazinha).
Até hoje milhares de empresas continuam ganhando dinheiro vendendo cartões de ponto (hoje magnéticos pendurados no pescoço), sistemas e relógios de ponto. Tem controles mais sofisticados com senhas, leitores de digitais e de iris. Também sobreviveram os chefes de DP que mais inovaram nas formas de controlar o tempo, punir as faltas e atrasos.
A Mariazinha é secretária do presidente, não bate mais ponto.
Recentemente (há uns 10 anos) profissionais de RH (um aprimoramento do DP) bolaram uma forma gráfica para melhor administrar o tempo. Já foi um avanço, pois passou a controlar onde o tempo era gasto. Trata-se de um gráfico com dois eixos, um eixo representando a importância da tarefa e outro a urgência, onde depois das tarefas nele indicadas (com pontos dependendo da urgência e importância) fica mais fácil visualizar a prioridade e o cuidado que cada tarefa merece.
O relógio de ponto controla o tempo total que o empregado está a disposição da empresa e o gráfico controla como esse tempo é gasto.
Por ser secretária do presidente a Mariazinha não utiliza o gráfico acima, tudo que ela faz é muito importante e muito urgente.
Apesar de todas essas ferramentas (livro, cartão de ponto, relógio, gráfico acima) auxiliarem no controle do tempo elas nunca garantiram, mesmo com punições, um bom resultado.
Tem muita gente que ainda não percebeu que tempo só gera resultado para o dinheiro (juros). Pessoas geram resultados com energia, não com o tempo.
Poucas empresas têm seus resultados dependendo do tempo (como é o caso dos bancos), o resultado da maioria das empresas depende de energia.
O tempo é igual para todos, uma hora tem 60 minutos para todos. O grande segredo é saber administrar a energia, essa que é a variável diferencial.
Muita energia em pouco tempo é melhor que muito tempo com pouca energia.
Como fazer com que seus colaboradores tenham mais energia?
Nós humanos colocamos toda nossa energia quando estamos apaixonados,
aliás, quando estamos apaixonados perdemos totalmente a noção do tempo.
Descobriu-se que as pessoas colocam toda sua energia quando estão apaixonadas pelo que estão fazendo, então precisamos saber como apaixonar.
Quando você está apaixonado por um livro, um filme, um passatempo, uma tarefa, uma garota(o), uma pescaria, você coloca toda a sua energia, perde noção do tempo, perde o sono e nada mais é tão importante a ponto de ficar trançando as pernas de tanta vontade de urinar.
Se resultado se obtém com energia e se energia é produto/condição natural
de apaixonado, resta saber como transformar um apático num apaixonado.
O ser humano se apaixona quando surpreendido. A mesmice nos aborrece.
Todos nós nos encantamos quando somos surpreendidos com alguma coisa que foi muito além de nossa expectativa. Esta regra vale para tudo, inclusive na relação entre pessoas.
Para despertar uma paixão precisamos surpreender, (agora o pior) para manter o encantamento precisamos sempre surpreender lembrando que a surpresa de ontem, hoje é mesmice.
Para surpreender de forma natural você precisa estar apaixonado. Um “sem sal”, um “sorriso amarelo” não consegue surpreender ninguém. Para conseguir um apaixonado, você precisa antes estar apaixonado.
Começar se exercitando em gostar do que faz é o início do aprendizado para se apaixonar. Disse gostar do que faz e não fazer o que gosta. Este é um exercício muito divertido.
Como conseguir que o cliente se encante?
Para se obter o encantamento do cliente é necessário conseguir que todos os colaboradores estejam encantados, resultado este que a liderança só irá conseguir se estiver encantada, ou seja, só se consegue se o exemplo vier de cima. São os sócios, donos, líderes quem precisam dar o exemplo. Não são as grandes promoções que encantam nem as propagandas bem feitas, aliás, criar expectativa e não realizá-la desencanta.
Conseguir que todos os colaboradores se apaixonem e se mantenham apaixonados é uma grande arte, mas por mais difícil que seja vale a pena. É muito divertido.
Podemos afirmar que o resultado está diretamente relacionado com a paixão daqueles envolvidos no negócio. Se for uma empresa de prestação de serviços o resultado é ainda mais rápido.
Inicie esta transformação em você. Você se sentirá muito melhor.
Surpreenda. Faça diferente de ontem. Dê o exemplo. Não atenda telefone dizendo aquele “Alô” que todos dizem. Surpreenda. Experimente encantar sua esposa (marido), seus filhos e amigos. Até seu cachorro irá perceber. A relação irá melhorar e dará força para desafios maiores.
Lembre sempre a regra; para encantar é preciso estar encantado.
Você quando está encantado você será uma fonte de energia “boa”, produzirá mais resultado em menos tempo e sobrará mais tempo para você fazer o que gosta, é isso mesmo; gostando do que faz sobra mais tempo para fazer o que gosta.
Jogue fora o relógio de ponto e encante.
Amauri Zerillo é proprietário do site www.zerillo.com.br e possui prática em planos de recuperação de empresas, através da valorização do próprio pessoal, de programas motivacionais e da reorganização do processo decisório.
admin :: Feb.20.2008 :: Artigos ::
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